MÃE!

Fui atropelado por ‘Mãe!’ Talvez seja uma ótima expressão para descrever a sensação que tive com o subir dos créditos na sala de cinema agora a pouco. Sim! Digo agora pouco, pois não resisti ao impulso quase que incontrolável de escrever a respeito do filme. ‘Mãe!’ é daqueles filmes que merecem ser assistidos em grupo. Um daqueles poucos filmes que não terminam no final, merecem ser debatidos numa mesa de bar, ou melhor ainda, numa mesa de ‘buteco’ acompanhados de cerveja barata servida em copos americanos opacos pela ação do tempo. Sim! Porque o filme é tão cru e viceral quanto a pior realidade boêmia que você possa imaginar.
Não tenho interesse aqui de dar spoilers do filme, portanto vou me atentar mais as sensações que ele provoca, o que com certeza fará desse texto uma somatória de divagações e abstrações dignos de não sustentar nenhuma opinião respeitável e prática para quem deseja decidir se vai ou não assisti-lo. Mas ‘Mãe!’ faz isso com o público o tempo todo. É um misto de imagens, personagens, situações que não te deixam decidir em que e em quem acreditar.

Mas vamos tentar falar um pouco da parte técnica, ‘pra não dizer que não falei das flores’. Do ponto de vista cinematográfico, o filme não desperta paixões tanto quanto seu conjunto. A fotografia, ao meu ver não se destaca, os próprios planos não são mirabolantes e se prezam em alguns momentos a colocar o olhar do expectador passeando pela casa, aliás, isso vale um detalhe, digamos técnico, que achei muito bem executado. A falta de planos abertos dentro da casa te colocam numa situação labiríntica intencional e mais tarde, no filme, você entende que o diretor quer que você não saiba onde é a saída. Apesar de entendermos que a casa é muito grande, a sensação hermética e claustrofóbica do ambiente está presente o tempo todo e serve muito bem ao roteiro. Esse sim a grande estrela do filme, juntamente é claro com as interpretações de Javier Bardem e Jennifer Lawrence, que merecem um destaque posterior. A estrutura narrativa te conduz numa montanha russa que hora nos coloca no colo, hora nos joga contra a parede e nos cospe na cara. Em vários momentos o público ri, mas um riso nervoso daqueles que você dá ante a incredulidade do que está por vir. (Difícil de explicar). O grande trunfo do roteiro na minha singela opinião é exatamente a oportunidade que ele entrega ao expectador de ansiar por uma conversa após o filme.
Antes de acabar, abro um parênteses para falar das atuações. Jennifer Lawrence entrega uma personagem que cumpre a função. Você se importa com o drama dela, você torce por ela mas fica a impressão que poderia ser mais, talvez por que está a sombra de Javier Bardem, esse sim, tudo o que se espera desse personagem. Ele te confunde na medida certa, te entrega a dúvida e a certeza de formas tão sutis que é uma amálgama disforme de algo que você não consegue identificar mas que você se atreve a supor. Perfeito! Ainda temos Michelle Pfeiffer e Ed Harris, compondo um casal deliciosamente desconexo. O diretor, que também assina o roteiro, Darren Aronofsky, parece ter acertado em cheio novamente. Antes de ‘Mãe!’ ele já havia nos brindado com ‘Cisne Negro’ e também nos feito ‘pirar’ com ‘Fonte da Vida’, pode-se dizer com certo grau de certeza que a cabeça do Sr. Darren é bastante inspiradora.
Tudo isso fazem de ‘Mãe!’ uma das grandes surpresas do ano. Eu poderia ficar aqui dando minhas teorias a respeito do que eu acho que o filme trata, mas não me atrevo a fazer isso sóbrio. E por favor, assistam para que eu tenha com quem divagar e materializar esse conjunto de ideias de dentro da minha cabeça! (Fica a dica!)

Autor: Eder Progetti: Twitter: https://twitter.com/ederprogetti
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